J'adore: Eternamente sensual
J´adore, um dos grandes clássicos da perfumaria, que marca a comunhão perfeita entre uma fragrância ímpar e uma proposta visual absolutamente arrebatadora
* Publicado originalmente na revista Atualidadade Cosmética nº 123 (jan/fev 2012) Em 1947, Christian Dior fundou sua Maison e trouxe para os holofotes da época, um novíssimo conceito de alta-costura. O New Look, estilo criado pelo estilista que moldou a forma de se vestir nos anos 1950, inovava o mundo da moda trazendo modelos que valorizavam o corpo feminino com cinturas apertadas, saias rodadas, além de trazer de volta às passarelas o glamour e o luxo, que haviam se tornado secundários nos sombrios tempos de guerra. Nesse mesmo ano, a Dior também faz sua entrada pelo tapete vermelho no mundo da perfumaria com o Miss Dior, uma fragrância feminina de doces aromas florais de gardênia, jasmim, rosas e férula, com outros odores derivados de árvores de carvalho, sândalo e patchouli. Desde então, a maison francesa não parou de inovar no quesito perfumaria, desenvolvendo clássicos como Diorissimo, Poison, Fahrenheit e Dolce Vita. Mas foi em 1999 que um dos mais queridos deles veio à luz, para brilhar e expandir o conceito de perfumaria de luxo da grife. J’adore, o perfume, nasceu da perfeita comunhão entre a sofisticação da Maison Dior e a criatividade de uma então jovem perfumista chamada Calice Becker, então trabalhando para a casa de fragrâncias Quest, hoje parte da Givaudan. A inspiração inicial para a fragrância veio numa tarde em que, visitando sua mãe, Calice sentiu o doce aroma de ameixas sendo cozidas com todo o carinho no fogão materno. Já em seu laboratório, a perfumista “temperou” o delicioso cheiro da fruta com outros finos ingredientes florais, como amaranto, extrato de champaca (um tipo de magnólia indiana), violeta e orquídea. Uma generosa pitada de investimentos da Maison Dior em campanhas de comunicação e publicidade... et, voilà: J´adore, há mais de dez anos é sucesso de vendas e ingressou no seleto panteão dos Clássicos da Perfumaria. Com alma de flores Não há segredo. Basta fechar os olhos e sentir a fragrância para ter a nítida noção de que J’adore nasceu com a intenção escancarada de ser um grande buquê floral. Porém, nada excessivo ou mesmo opulento: ele acompanha com elegância – como um vestido Dior, quem sabe – a mulher delicada e sofisticada, onde quer que ela vá. Mais do que isso, seu perfume remete aos ritos de passagem que fazem parte da vida dessa mulher, com todas as sua nuances, mas que encontram limites naquilo que se pode considerar o fim de uma época auspiciosa, para abrir caminho para o início de outra não menos radiante. E nessa transmutação, a presença das flores revela-se uma constante, pois são as inseparáveis companheiras das mulheres, em todas as etapas de suas vidas. Curvas suaves, detalhamento perfeito O frasco de J’adore também é uma obra-prima. Hervé Van Der Straeten, foi o responsável por criar seu belíssimo visual, ajudando a fixar o perfume no imaginário das mulheres dos cinco continentes como sinônimo de sofisticação e classe. Em 1999, Hervé registrou: “Uma fragrância precisa ser misteriosa e atemporal. Desenhei este frasco para destacar a fragrância em si. Um objeto verdadeiro, sincero e precioso, que respeita o ritual de beleza das mulheres. Encaixa-se perfeitamente na palma das mãos para se aproximar de um gesto íntimo, ou seja, de um ritual.” Assim, o frasco de J’adore é um talismã, uma forma de alquimia. Hervé Van Der Straeten queria que ele fosse o mais refinado possível para transmitir o máximo de força. O brilho do vidro, sua luminosidade e a preciosidade do ouro foram os componentes que o designer usou para dar início ao trabalho. Depois vieram os primeiros traços, nos quais a inquietação e a elegância das linhas tomaram forma e um rápido gesto no papel deu origem a uma escultura, pura como uma ânfora. Depois veio o desenho de uma joia, que tanto estrangula quanto deixa fluir, estruturando uma massa de vidro que parece estar se deformando. O objeto evoca a fluidez, um certo tipo de delicadeza, mas também uma força, um poder dado por uma rígida jóia dourada, parecida com os colares das mulheres-girafas birmanesas. Os metais, em especial o ouro, são minhas matérias primas favoritas. E nesse cenário, o ouro preserva um mistério: simboliza a eternidade, o calor, o sol e a sensualidade.