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* Publicado originalmente na revista Atualidade Cosmética nº 117 (jan/fev 2011)
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Inovação e destaque são palavras-chave para fazer parte da alta-costura internacional. Unindo as duas características, Issey Miyake transformou a moda combinando tecidos e formas que mesclam o clássico e o moderno. Com sua primeira fragrância ele não fez diferente.
O final da década de 1980 foi marcante para o desenvolvimento de perfumes com a assinatura de grandes estilistas. Foi assim com Calvin Klein, Ralph Lauren e Giorgio Armani, entre outros, que fecharam contrato com empresas de beleza. Ao perceber o potencial de Issey Miyake, a japonesa Shiseido não pensou duas vezes: procurou o estilista para apresentar a proposta de uma fragrância exclusiva.
Curiosamente, Miyake não gosta de perfumes. “O melhor perfume é o cheiro da água”, disse o estilista quando escolheu o material como inspiração. Para produzir o L'Eau D'Issey, ele apontou o conceito citando o mar e a chuva, além de exaltar a vitalidade e energia que a água transmite.
Em parceria com Chantal Roos, na época diretora da Beauté Prestige International, a divisão da Shiseido dedicada à fragrâncias, estava Jacques Cavallier, da casa de fragrâncias Firmenich. Este, um perfumista jovem e criativo que, após passar noites em claro estudando o perfil de Miyake e o conceito da fragrância, encontrou uma fórmula borbulhante, fresca e ao mesmo tempo sensual.
Conquistando os mais críticos
O resultado do floral amadeirado de Jacques Cavallier foi um marco no mercado norte-americano. L'Eau D'Issey abre com flor de lótus e frésia, seguido por cravo, begônia fresca e lírio branco como notas de coração e em seu fundo osmanthus e âmbar. Jacques acredita que a emoção é uma de suas inspirações, e ela pode vir de lembranças de diversos locais ou do cotidiano.
O perfumista também utilizou uma molécula sintética patenteada pela Firmenich, a calona, que combina ozônio com água do mar. O sucesso deu-se pela refrescância única do perfume, diferente das tendências doce e masculina da época, remetendo a uma lembrança de água pura. “Adoro dar qualidade a um produto, mas não para agradar o maior número de pessoas. Trata-se de criar algo que dure verdadeiramente”, disse certa vez o perfumista.
Embalando uma obra-prima
Ao imaginar o frasco de L'Eau D'Issey, Miyake pensou em interpretar uma garrafa de água, não de perfume. Ele propôs para o designer Alain de Mourgues uma gota d'água suspensa no espaço. Os projetos do artista, de estruturas retas, combinavam com a fragrância, porém faltava movimento. O estilista, então, contatou Fabien Baron, diretor de criação da revista Harper's Bazaar, que além de desenhar a embalagem deu o toque final.
“Queríamos mudar a garrafa de uma forma muito simples, porque a caixa já tinha sido elaborada”, disse Baron. Os designers estudaram o movimento da caligrafia japonesa e chegaram a um formato piramidal, com curvaturas laterais que se adequava à embalagem. Para esconder a válvula spray, eles acrescentaram uma comprida tampa em metal, contrastando com o vidro transparente.
Ao final da elaboração do perfume, Issey Miyake contou a seus colaboradores que numa noite a Torre Eiffel estava refletida em uma janela de seu apartamento, coroada pela lua cheia, o que o fez lembrar imediatamente do frasco de L'Eau D'Issey.
Ao falar a respeito do perfume, Miyake afirmou que sua criação foi mais demorada do que a produção de uma coleção de roupas. “A mulher que usa L'Eau D'Issey é que completa o perfume. Criei L'Eau D'Issey, mas ela o faz viver”, pontuou o estilista, com humildade. E foi assim que, sem perder a classe, que Issey Miyake conseguiu retratar sua versatilidade em forma líquida e eterna.
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