Tecnologia como pilar

Tecnologia como pilar

Com a chegada de Sérgio Gallucci para gerir sua área de Tecnologia, a Vollmens dá um passo importante para garantir um futuro de crescimento sustentado pela inovação 

 

Um dos mais experimentados profissionais da área técnica e de inovação no mercado de fragrâncias, com mais de duas décadas de atuação em empresas como IFF, Givaudan e Natura, no Brasil e no exterior, Sérgio Gallucci retornou ao Brasil em 2019, após cinco anos atuando como diretor Técnico da IFF em Singapura, com planos para atuar como consultor. No final do ano passado, iniciou um trabalho com a casa de fragrâncias brasileiras Vollmens e, desde outubro deste ano, assumiu a gestão da área de Tecnologia da empresa. Nesta entrevista, Sérgio fala sobre como pretende levar a frente uma política de inovação que garanta à casa brasileira atender as novas demandas e agregar valor para os seus clientes e o mercado brasileiro de forma geral.

Como teve início o seu relacionamento com a Vollmens?
Retornei para o Brasil faz um ano e meio, mas mesmo de fora já ouvia falar da Vollmens. Sabia que a empresa vinha crescendo, mas tinha pouco contato com eles. Quando cheguei, tinha em mente outra forma de trabalhar e comecei a atuar como consultor, atendendo clientes no Brasil, na Índia e em países da América Latina. Foi nesse momento que passei a interagir com o Nestor Mendes (diretor da Vollmens), e me chamou muito a atenção o fato dele querer conversar comigo sobre tecnologia.

Por que esse fato lhe chamou atenção?
Sempre entendi que a maior parte das grandes empresas do mundo – e isso vale para todas as quais eu trabalhei – é dirigida pela inovação. As empresas que querem crescer precisam investir em tecnologia e o Nestor me apresentou projetos interessantes e desafiadores, por que são condições de recurso e trabalho diferentes daqueles das multinacionais. É um trabalho desafiador para todos nós. Por isso aceitei o convite para trabalhar como consultor. Comecei a trabalhar em agosto do ano passado e já temos o primeiro fruto dessa inovação sendo comercializado, as Voll Caps, nossa exclusiva tecnologia de micro encapsulamento de fragrâncias.

Há pouco mais de dois meses, você assumiu uma posição executiva, como gestor de Tecnologia da Vollmens. O que o levou a retornar a carreira numa única empresa?
As conversas com o Nestor me atraíram bastante, e conversávamos todos os dias sobre a disposição da empresa de investir no desenvolvimento de inovações e tecnologias que pudessem servir aos clientes da empresa. A estratégia para a área de tecnologia tratada dentro do nosso time e a vontade de investir e trazer algo diferente para o mercado me conquistou. Quando recebi o convite para liderar a gestão de tecnologia e que eu passasse a fazer parte do time da Vollmens, aceitei porque conhecendo o potencial da empresa e a qualidade das pessoas, eu mesmo acabei tendo esse desejo de trabalhar e me dedicar exclusivamente a esse projeto.

É um ambiente diferente daquele nos quais você fez carreira, de grandes multinacionais. 
Sim e é um grande desafio. As multinacionais têm seus próprios centos de pesquisa. Aqui na Vollmens temos um time de pesquisa na área técnica e de desenvolvimento e aplicação, mas evidentemente que não podemos nos comparar com uma multinacional em termos de investimentos e capacidade. O desafio agora é estabelecer parcerias. Estabelecemos parcerias no Brasil e fora do país e já estamos trabalhando com eles. As parcerias são melhor forma para crescer, com mais cabeças ajudando você a se organizar e a desenvolver tecnologias que, sozinhos, levaríamos entre três até cinco anos para desenvolver. Com parceiros, posso trazer tecnologias mais avançadas e em prazo mais curto para a casa.

Quando fala de parcerias de pesquisa e inovação, você está falando da academia, de fornecedores...?
Estou falando de centros de pesquisa mesmo, tanto no Brasil quanto na Europa.  Os centros de pesquisa daqui tem uma enorme capacidade para realizar pesquisas e trazer inovações. Alguns desses centros estão ligados à academia, outros não. Temos centros de pesquisa como o Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT), que embora esteja atrelados a uma universidade, operam de forma independente. São várias instituições de pesquisa com a quais você pode se conectar. Depende apenas da disposição da indústria de se aproximar desses centros e entender em qual deles você vai investir mais a partir de uma série de critérios. Esses institutos tem muito conhecimento e ele não está sendo aplicado. Esse tem sido o papel da Vollmens: levantar onde estão esses conhecimentos, aplicar em inovação e trazê-la para o mercado.

E o que a Vollmens está buscando em termos de tecnologia? 
Tudo é muito novo. Temos as discussões sobre a necessidade que os nossos clientes têm e como podemos aportar inovações para eles. Um exemplo que posso dar e o das Voll Caps, nossa exclusiva tecnologia de microencapsulamento de fragrâncias é excelente em termos de desempenho e competitividade, no mesmo nível que a das grandes empresas. A Vollmens já vinha trabalhando com isso há dois anos. E nada impede que possamos buscar novas tecnologias semelhantes a ela. Agora, estamos investindo em uma nova geração de microcápsulas e são várias oportunidades de melhorias em performance, impacto ambiental, custos..
Da mesma forma temos trabalhado com os perfumistas juntando o conhecimento deles com a área técnica, para que eles consigam dar um salto na questão de qualidade.

O desenvolvimento de moléculas olfativas está no radar também?
Não é algo para o qual olhamos no curto e no médio prazo. Qualquer químico aromático, para ser viável, tem que ter escala e isso é um desafio muito grande para ter uma nova molécula que aporte um diferencial olfativo. E se não tiver escala você não é competitivo. O que não quer dizer que não possamos tirar proveito de oportunidades que surjam. 

As tendências apontam para uma perfumaria mais funcional, que vai além da perfumação e que, de alguma fora, se apoia no neurociência para medir sua efetividade. Como você tem encarando essa mudança?
Desde o final do ano passado temos trabalhado com os perfumistas para criar um banco de dados de ingredientes com dados sobre a percepção do consumidor em relação a sensação que esses ingredientes transmitem. Ainda não estamos falando de neurociência e sim de algo mais no campo do sensorial. Mas, passo a passo, vamos chegar a questão de medir o impacto de uma fragrância nas ondas cerebrais. De novo, é uma questão de priorizar. Esse é um grande desafio também. São tantas as oportunidades que se não focarmos e priorizarmos os investimentos, podemos nos perder.

Ainda no campo da funcionalidade, temos visto a indústria buscar soluções que as permitam usar claims mais objetivos em relação à durabilidade das fragrâncias. Isso é algo que está no campo da tecnologia também? A Vollmens tem pesquisado isso?
Esse é um beneficio que vai ser entendido pelo consumidor. Usar menos fragrância e ter maior durabilidade é um beneficio. Já trabalhamos nisso. Não temos nada efetivamente pronto para ir ao mercado, mas em breve devemos anunciar novidades nessa área. Essas tecnologias não são meros claims, existe um pacote tecnológico atrelado. Quando você olha para os químicos aromáticos que são utilizados na composição vemos uma série de dados físico-químicos e quando você junta esses dados com questões sensoriais e aloca tudo num grande banco de dados que permite o cruzamento de uma série de variáveis envolvidas, os perfumistas podem criar algo para ativar mais uma determinada região do cérebro.

Investimento em pesquisa e inovação consome muito dinheiro, leva tempo e ainda não oferece nenhuma garantia de retorno, o que faz com que seja difícil que empresas nacionais façam grandes aportes nesse sentido. Como você avalia o comprometimento da Vollmens com essa agenda da inovação e de pesquisa?
O comprometimento deles foi, justamente, o que me levou a aceitar o convite da Vollmens de forma imediata. A casa tem esse compromisso e essa disposição. Sempre que apontei a necessidade de um investimento na área, eles apoiaram. Às vezes sou eu que barro, porque eles querem investir e eu digo que precisamos digerir o que já fizemos. Evidente que todos nós temos budget, limites, mas a vontade de trazer a inovação, realizando investimentos que podem até não resultar em nada, porque é pesquisa, não é certeza. Mas ao menos você pesquisou, investiu para trazer a inovação necessária para o nosso negócio. 
Não é a toa que a Vollmens tem tido resultados excelentes. É uma vontade de querer crescer, de avançar e que sabe que investir é a única forma. Se não investir em inovação, você não vai ter os resultados. E isso a Vollmens entende perfeitamente e vem cumprindo esse papel muito bem. Fiquei muito impressionado com a Vollmens, de encontrar no Brasil uma empresa que tem esse modelo de gestão, o clima é excelente, os resultados fantásticos e a empresa se dispõe a investir e a trazer profissionais para crescer. Estou muito feliz em estar aqui.

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